Embora as competições e Ligas da Europa tenham craques negros em destaque nos gramados, no comando técnico a presença deles ainda é exceção.
Olhando para os 96 clubes das principais ligas da Europa – Premier League, LaLiga, Série A, Bundesliga e Ligue 1 – na atual temporada, apenas quatro têm treinadores negros – segundo artigo da “Andscape”.O principal nome é Vincent Kompany, que comanda o Bayern de Munique, líder isolado do Campeonato Alemão – inclusive, ele é o primeiro treinador negro da equipe desde o início da competição local em 1963.
Os outros nomes presentes nas principais ligas europeias são Nuno Espírito Santo, do West Ham, Habib Beye, do Rennes e Liam Rosenior, do Strasbourg. La Liga, na Espanha, e a Série A, na Itália, não têm atualmente um treinador negro sequer no comando de uma equipes. Patrick Vieira era o único no Campeonato Italiano até o início de novembro. Porém, o treinador foi demitido do Genoa após uma sequência de nove jogos sem vitória.
O baixo número de comandantes negros reforça a desigualdade no esporte. Marcelo Carvalho, diretor executivo do ODRF, explica que a questão de qualificação não é mais uma resposta para os tempos atuais. Para ele, faltam mudanças dentro das entidades e em cargos maiores dos clubes europeus.
– O que está faltando na verdade é oportunidade. Coloco isso na conta do racismo, né? Mas o que está sendo feito para que isso mude? Você consegue dar oportunidade para pessoas negras jogar futebol, mas ali naquela posição de liderança você não confia numa pessoa negra. Treinador de um time é um cargo de liderança, e aí você acaba não confiando na pessoa para ela estar ocupando esse lugar – afirmou.
A declaração mais recente sobre o tema foi de Júlio Baptista. O brasileiro treinou por um período o time B do Valladolid, e chegou a ser chamado para comandar o sub-19 do Real Madrid, mas desistiu por não querer assumir um time da categoria. Atualmente, ele mora em Madri e se prepara para se tornar treinador no futebol profissional. Além dele, Patrick Vieira em 2023 também havia levantado a questão na Europa.
Isso me incomoda muito. É difícil entender, e acho que isso apenas mostra que ainda há um longo caminho a percorrer.
— Patrick Vieira em fevereiro de 2023, ao ser perguntado sobre a falta de técnicos negros.
