Entidade deixou o local sem realizar a deliberação após perceber que não teria apoio dos trabalhadores; dirigentes denunciam supostos pagamentos em dinheiro durante o evento
A Assembleia Geral Extraordinária convocada pelo SINDIMETAL-ES (Sindicato dos Metalúrgicos) no último sábado (11), em Vila do Riacho, Aracruz/ES, terminou em fracasso absoluto para a entidade. O objetivo era alterar o estatuto para ampliar a representação da categoria — na prática, uma tentativa de invadir bases já legalmente representadas por outros sindicatos.


O que se viu, porém, foi uma assembleia que sequer aconteceu. Diante da reação contrária dos trabalhadores e da presença firme dos dirigentes do Sintraconst-Sul/ES, Sintracon/ES, Sinticon/ES e Sintraconst/ES, o SINDIMETAL-ES simplesmente encerrou os trabalhos e foi embora sem realizar a votação — o que, na prática, configura o cancelamento da própria assembleia. Não houve deliberação. Não houve aprovação. Houve, sim, uma retirada estratégica ao perceber que não conseguiria aprovação entre os quase 300 trabalhadores presentes.
O que estava em jogo
As alterações propostas no estatuto do SINDIMETAL-ES pretendiam estender sua base de representação para abranger trabalhadores da:
- Montagem e manutenção industrial
- Montagem de instalações industriais
- Manutenção de instalações industriais
- Montagem e manutenção de estruturas metálicas
- Construção, montagem e manutenção aeronáutica
O problema jurídico e político é evidente: todas essas categorias já possuem representação sindical legalmente constituída pelos sindicatos da Indústria da Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial do Espírito Santo.
Suspeitas de irregularidades
A assembleia também foi marcada por cenas preocupantes. O SINDIMETAL-ES compareceu com um aparato de segurança estimado entre 30 e 50 pessoas — número que chamou a atenção dos presentes. Mais grave: testemunhas relataram supostos pagamentos em dinheiro a pessoas ligadas à entidade durante o evento. Até o momento, não há qualquer esclarecimento oficial sobre a finalidade desses pagamentos, o que acende alerta sobre possíveis práticas de cooptação.
Trabalhadores unidos em defesa da CCT
Após a debandada do SINDIMETAL-ES, os dirigentes do Sintraconst-Sul/ES, Sintracon/ES, Sinticon/ES e Sintraconst/ES reuniram os trabalhadores em uma mobilização espontânea. Cerca de 300 trabalhadores — metalúrgicos, montadores, mantenedores e profissionais da construção civil — manifestaram posição contrária à ampliação das categorias pretendida pelo SINDIMETAL-ES.
VÍDEO:

Durante o ato, os dirigentes sindicais reforçaram que a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) vigente oferece condições mais vantajosas, com benefícios e direitos conquistados ao longo de anos de negociação coletiva. A mensagem foi clara: não abriremos mão da nossa representação.
Fotos e vídeos registrados durante a mobilização mostram a insatisfação dos trabalhadores com a tentativa do SINDIMETAL-ES, classificada por lideranças presentes como uma manobra para empobrecer a categoria e achatar direitos históricos.
Próximos passos
A disputa sobre a representação sindical agora terá desdobramentos administrativos e judiciais. Está em jogo a definição clara das categorias e da base territorial profissional representada por cada entidade — uma questão que impacta diretamente os direitos e as condições de trabalho de milhares de trabalhadores no Espírito Santo.
Os sindicatos envolvidos já sinalizaram que vão adotar as medidas legais cabíveis para garantir a manutenção da representação conquistada e impedir qualquer retrocesso nas condições negociadas coletivamente.
