Fonte: girocapixaba.com.br
O orçamento da Saúde em Marataízes/ES, se transformou no pivô de uma crise política que envolve o prefeito Toninho Bittencourt e o vice-prefeito Willian Duarte (MDB). Em jogo, está o controle de uma das maiores pastas do município, responsável por cerca de 18% do orçamento municipal de 2024, equivalente a R$ 347,3 milhões.
A disputa ganhou força após a exoneração do então secretário de Saúde e vereador Cleverson Maia (Podemos). Em discurso na Câmara, Cleverson afirmou que a área estaria sob comando de uma quadrilha, o que ampliou a crise política.
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No lugar de Cleverson, foi nomeado interinamente o secretário de Obras, Rodrigo “Dadá” Lugão. Nos bastidores, porém, o que estaria em jogo é um contrato de R$ 38 milhões para a terceirização da UPA, que, segundo denúncias, beneficiaria negócios ligados ao empresário Olavo Kezem, aliado político de Willian Duarte e apontado como uma espécie de “eminência parda” do governo.
A proximidade entre o vice-prefeito e o empresário chamou atenção recentemente, quando imagens mostraram Duarte desembarcando em Marataízes em um helicóptero atribuído a Kezem.
Cortes e precarização na saúde
Enquanto a disputa avança, a população enfrenta um cenário de precarização. Serviços como atendimento psicológico, fisioterapia, pediatria e especialidades médicas foram reduzidos, além do corte de médicos na UPA, o que tem aumentado as filas. Há denúncias de que a deterioração seria proposital para justificar a terceirização.
A terceirização gera vulnerabilidades. O modelo de gestão por Organizações Sociais (OS) está sob investigação da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal (PF). Nesta quarta-feira (10), a PF deflagrou no Rio de Janeiro a Operação Antracito, que tem como alvo uma OS suspeita de desviar R$ 1,6 bilhão em contratos de saúde firmados com municípios fluminenses entre 2022 e 2024.
Em Marataízes, o contrato de terceirização da UPA, que historicamente custava em média R$ 18 milhões por ano (chegando a R$ 20 milhões durante a pandemia), pode saltar para R$ 30 milhões anuais, valor equivalente ao custo de hospitais regionais completos, como o Menino Jesus, que oferece UTI, maternidade e hemodiálise.
Governo com base em ruínas
A crise interna fragiliza ainda mais a gestão de Toninho Bittencourt, que vê sua base comprometida. Enquanto isso, o vice-prefeito e aliados pressionam pela terceirização, em meio a suspeitas de favorecimento político e empresarial.
A população, por sua vez, continua sofrendo com a precarização dos serviços de saúde, no meio de um embate que expõe o impacto de contratos milionários e interesses políticos sobre a vida dos moradores.
